
A Selva Lacandona é o lugar de onde, há 18 anos, o Ejército Zapatista de Liberación Nacional (EZLN) lançou seu grito pela possibilidade de um mundo onde caibam muitos mundos. Pois é este, segundo a reflexão oferecida pelo sociólogo mexicano Pablo González Casanova, o momento inicial das mobilizações plurais que hoje assomam ao cenário global, reconhecidas nos movimentos dos indignados e dos ocupas.
A postagem de hoje traz essa análise desse pensador mexicano fundamental para o pensamento crítico sobre a realidade atual de nosso continente, autor do clássico “O Colonialismo Interno”, que se você ainda não leu, recomendo fortemente. (Ao final da postagem disponibiliza um link pra descarregar esse outro trabalho de González Casanova).
O Movimento dos Indignados começou na Lacandona
por Pablo González Casanova
Se pensamos no conhecimento e na ação de um movimento mundial como o dos indignados, logo observamos que há problemas teóricos e práticos consideravelmente distintos dos que se propõem na Academia, nos partidos e nos governos. Felizmente temos a possibilidade de enriquecer nosso conhecimento com as perguntas que os povos se fazem e com as respostas que se dão.
Teorias e práticas que vêm “de abajo y a la izquierda” têm a originalidade de criticar o poder quando este se sente diferente da sociedade e quando se separa da sociedade.
Os novos movimentos do povo propõem uma democracia que corresponda às decisões do povo e que, em caso de que se separe do povo, deixará de ser uma democracia.
Depauperados e excluídos, indignados e ocupas formulam teorias que contêm um grande respaldo empírico. Trata-se de explicações e generalizações baseadas em grande quantidade de experiências. Trata-se de conhecimentos, de artes e técnicas que correspondem ao saber e ao fazer dos povos, esse saber que tanto exaltara o antropólogo Andrés Aubry, e em que aparece, em vez do “eu” individualista, o “nós” tojolabal que Carlos Lenkersdorf resgatara para a filosofia da solidariedade humana.
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