Dario Santillan, La Dignidad Rebelde

Estreia hoje, em Buenos Aires, o documentário sobre a vida do militante social Dario Santillan, assassinado em junho de 2002 na repressão militar e policial a uma mobilização dos movimentos piqueteros e de trabalhadores desocupados em Avellaneda, na grande Buenos Aires.

O Massacre de Avellaneda, como ficou conhecido o episódio no qual também foi assassinado o militante Maximiliano Kosteki, foi um marco nas jornadas de luta que se seguiram à queda do presidente De La Rúa, em dezembro de 2001, e acelerou a saída do presidente interino de então, Eduardo Duhalde.

O Página/12 de hoje traz entrevista com Miguel Mirra, diretor do documentário, que você pode ler clicando aqui.

Para os que quiserem saber mais sobre o Massacre de Avellaneda, clicar aqui.

Dario y Maxi no están solos … la lucha sigue !!!

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A estaca quebrada no coração do latifúndio

Reproduzimos o manifesto dos companheiros do MST de São Grabriel, acampados desde ontem na praça João Abott, daquela cidade, em apoio às lutas do Abril Vermelho, e recordando, hoje, os 16 anos do massacre de Eldorado dos Carajás.

Por MST – São Gabriel

Nesta segunda-feira, dia 16 de Abril, integrando a jornada nacional de lutas do Abril Vermelho, os assentados da região de São Gabriel ocuparam a Praça Fernando Abott com uma representação de 70 assentados do município. Ao ocuparem a praça em caráter permanente, até que os governos Federais e Estaduais disponham a infra-estrutura básica dos assentamentos.

Fazem três anos que via INCRA se prometeu investir 60 milhões de reais nos assentamentos de São Gabriel. Porém o que temos na prática é uma política de sucateamento deste órgão público e total descaso com a reforma agrária. Ao assentar aproximadamente 580 famílias numa das regiões mais pobres do Estado e dominada por latifúndios improdutivos, tinha-se a intenção de colocar “uma estaca no coração do latifúndio”! O que presenciamos hoje é o descaso que fundamenta os argumentos dos latifundiários e seus defensores, que acusam os assentamentos de “favelas rurais”. Na prática essas “favelas rurais”, são frutos de um processo onde se repartiu campos pouco férteis, com erosão e risco ambiental entre famílias totalmente descapitalizadas, que sem crédito, sem estradas, sem energia elétrica e sem habitação tiveram pouca, ou nenhuma condição de produzirem. Para se ter uma idéia da situação, em alguns assentamentos a desistência foi de 70% das famílias assentadas, que sem condições de permanência nos lotes voltaram para a periferia das grandes cidades.

Hoje aproximadamente 180 famílias permanecem sem energia elétrica, sem uma lâmpada para uma criança estudar, sem uma geladeira para conservar o alimento. Aqui nenhuma escola foi construída dentro dos assentamentos, nossas crianças caminham uma média de duas horas até pegar o transporte escolar, todos os dias! Não tendo estradas nem para transporte escolar, também não temos como escoar o excedente da produção, a qual se faz com o próprio suor, pois a fração de famílias que acessou os créditos é mínima! Quanto às moradias, as famílias não há perspectiva de quando será efetivado o projeto de habitação. Em torno de 100 famílias ainda moram embaixo da lona preta! Após resistirem a duas secas em três anos, sem bebedouros para o gado e nem uma gota de água potável, foi anunciado 38 milhões de reais pelo programa “Água para Todos”, a esperança é que os assentamentos sejam contemplados, mesmo assim não sabemos até quando teremos que alimentar essa esperança!

Permaneceremos ocupando a Praça Fernando Abott, na esperança de que menos invisíveis, e contando com o bom senso de nossos governantes teremos resposta concreta às nossas pautas.

Sepé Vive!

São Gabriel dia 16 de Abril de 2012.

 

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Bolívia: 60 anos da Revolução de 1952

O 09 de abril na Bolívia marca a data da Revolução de 1952, momento em que as milícias camponesas e operárias sobrepujaram as forças do exército do país para permitir a chegada ao poder do Movimiento Nacionalista Revolucionário (MNR).

Ainda que as análises posteriores, sempre beneficiadas pela vantagem de conhecer os desdobramentos dos fatos históricos, permitam questionar até que ponto a utilização da palavra “revolução” seja a mais adequada aos acontecimentos de 52, é inegável sua importância na história boliviana. Foi ali que se desmantelou a estrutura de um Estado oligárquico, que mantinha uma estrutura de perpetuação das regalias a uma elite mineradora oriunda do período colonial, e no qual a população indígena era totalmente ignorada, salvo quando necessária como massa de manobra paras as guerras.

Uma ideia de cidadania mais abrangente, com plenos direitos aos indígenas independentemente de sua situação econômico-social, o fim da estrutura patriarcal e patrimonialista, um papel mais ativo do Estado com sua política de nacionalização e de reforma agrária foram conquistas inegáveis daquele processo, sustentadas em seus primeiros anos pela força das armas entregues à população e pelo desmantelamento do exército (situação que durou até 1953).

A limitação das reformas em anos posteriores à chegada do MNR ao governo, partido muito mais nacionalista do que efetivamente revolucionário, não tardariam em conduzir a estrutura do Estado novamente às mãos das elites, talvez transformadas mais ainda conservadoras em suas intenções. Mas independentemente desse conhecimento que hoje nos é permitido ao olhar pelo retrovisor, a importância daquele fato histórico é essencial no que diz respeito mesmo ao processo de transformação atual vivido no país, pois vêm dali muitas das bases sobre as quais ocorre a mobilização política.

Aos interessados em conhecer um pouco mais dessa que, em seu momento, foi a primeira revolta popular bem sucedida em nosso continente, seguem alguns textos:

- Livro publicado pela Fundação Alexandre de Gusmão (FUNAG), vinculada ao Ministério das Relações Exteriores brasileiro, no qual se encontra um artigo redigido por este escriba, você pode baixar clicando aqui.

- Análise comparativo entre as revoluções de 1952 na Bolívia e 1959 em Cuba, você pode baixar clicando aqui.

- Artigo publicado na edição de ontem do Página Siete por Carlos D. Mesa Gisbert, ex-presidente da Bolívia e um dos mais importantes historiadores do país, você pode baixar clicando aqui.

 

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“Los hijos de los días” – novo livro de Eduardo Galeano

A edição deste domingo do Radar, suplemento literário semanal do Página/12, traz matéria especial sobre o mais recente lançamento do uruguayo Eduardo Galeano, o livro “Los hijos de los días”, no qual em 366 histórias, uma para cada dia do ano (incluindo aí o 29 de fevereiro), o autor transpõe as fronteiras do espaço e do tempo para falar dos temas que marcam sua obra: a política, o amor, a cultura, e os personagens que fazem a grandeza da vida de cada dia.

A L&PM, editora responsável pela publicação da obra de Galeano em português, anuncia a edição nacional para agosto. Enquanto isso, podemos conferir o que este livro nos reserva na entrevista publicada no Página/12 que você pode ler clicando aqui.

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Antena Pachamama: rock latino nas ondas da web

É hoje a estreia oficial do Antena Pachamama, o mais novo programa de rock latino a percorrer as ondas virtuais difundindo não só o rock mas todas as possibilidades de fusões, combinações e variáveis desse gênero musical criadas em terras latino americanas.

O programa tem seleção e apresentação do incansável – e nosso hermano! – Max Rivera, o garimpeiro de sons por trás do Porrazo al Oído, que agora compartilha suas descobertas, além é claro dos clássicos, nas ondas da DinamicoFM, rádio web do grande Claudio Cunha, um dos principais nomes da rádio no Rio Grande do Sul.

O programa vai ao ar nas terças e quintas, das 20h às 21h, e tu pode acessá-lo através de um dos links abaixo:

DinamicoFM-1 ou DinamicoFM-2.

Parabéns ao Max e ao Cláudio Cunha pela iniciativa.

Longa Vida ao Antena Pachamama !!!

 

 

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La Digna Rabia: show no Art & Bar

Hoje, 13/03, o Art & Bar abre as portas pra receber o baile da La Digna Rabia, com suas canções de amor & guerra. É o primeiro show solo dessa banda da qual este escriba é um honrado integrante, trazendo seu rock latino 100% gaúcho, cantado em espanhol. A festa de hoje é parte das comemorações dos 5 anos da Comunidad Sonora Rebel Sounds, e pra manter em alta a latinidade sonora contará com seleção musical do nosso hermano Max Rivera, o desbravador de sons do Porrazo al Oído.

Estão todos convidados!

Local: Art & Bar

Endereço: Rua Silva Jardim, 16 – Porto Alegre/RS

Horário: 21h

Ingressos: R$ 10,00

 

 

 

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Karamelo Santo: entrevista no Página/12

A edição desta semana do NO, o ótimo suplemento musical do Página/12, traz uma entrevista com os caras do Karamelo Santo, preparando as baterias pro show de lançamento oficial do álbum mais recente da banda, que vai rolar no sábado 03 de março, em Buenos Aires.

Confere a entrevista clicando aqui.

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Cinebiografia de Violeta Parra recebe o prêmio máximo no Sundance Film Festival

A expectativa só faz aumentar: “Violeta se fue a los cielos”, cinebiografia da cantautora chilena Violeta Parra dirigida por Andrés Wood, recebeu o prêmio máximo de sua categoria (World Cinema Grand Jury Prize) do Sundance Film Festival, festival dedicado a obras de diretores independentes e/ou iniciantes.

Sem muitas palavras, pois deixemo-las ao diretor Andrés Wood, em entrevista concedida ao Página/12 que você pode conferir clicando aqui.

Continuamos aguardando que o filme chegue às telas brasileiras.

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Rebel Sounds Compilado 2011 + EP Sonidos Inéditos (com La Digna Rabia !!!)

A Comunidade Sonora Rebel Sounds é o principal espaço de intercâmbio de música mestiça latinoamericana em toda a rede. E hoje está lançando, pelo quarto ano consecutivo, sua compilação reunindo os principais lançamentos do ano que passou.

A edição deste ano traz uma novidade: um EP destinado exclusivamente a sons inéditos, de bandas que não lançaram álbuns em 2011.

Pois, pra nossa alegria, a La Digna Rabia, banda da qual este escriba é um honrado integrante, teve sua canção “Un Beso y Un Adiós” selecionada para este EP.

Se você quer conhecer o que de melhor rolou da música mestiça em 2011, confere no www.rebelsounds.org e descarrega pra ti os 2 CDs + 1 EP, além da arte muito bacana criada pela equipe do Rebel Sounds pra esse lançamento.

Fica aqui, em nome da La Digna Rabia, nosso super agradecimento aos companheiros que foram fundamentais nessa empreitada: Arildo Leal, Max Rivera e Aníbal Pacheco.

Se tu não conhece a música com a qual fomos selecionados, confere aqui:

Un beso y un adios (La Digna Rabia) by La Digna Rabia

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O movimento dos indignados começou na Lacandona

A Selva Lacandona é o lugar de onde, há 18 anos, o Ejército Zapatista de Liberación Nacional (EZLN) lançou seu grito pela possibilidade de um mundo onde caibam muitos mundos. Pois é este, segundo a reflexão oferecida pelo sociólogo mexicano Pablo González Casanova, o momento inicial das mobilizações plurais que hoje assomam ao cenário global, reconhecidas nos movimentos dos indignados e dos ocupas.

A postagem de hoje traz essa análise desse pensador mexicano fundamental para o pensamento crítico sobre a realidade atual de nosso continente, autor do clássico “O Colonialismo Interno”, que se você ainda não leu, recomendo fortemente.  (Ao final da postagem disponibiliza um link pra descarregar esse outro trabalho de González Casanova).

O Movimento dos Indignados começou na Lacandona

por Pablo González Casanova

Se pensamos no conhecimento e na ação de um movimento mundial como o dos indignados, logo observamos que há problemas teóricos e práticos consideravelmente distintos dos que se propõem na Academia, nos partidos e nos governos. Felizmente temos a possibilidade de enriquecer nosso conhecimento com as perguntas que os povos se fazem e com as respostas que se dão.

Teorias e práticas que vêm “de abajo y a la izquierda” têm a originalidade de criticar o poder quando este se sente diferente da sociedade e quando se separa da sociedade.

Os novos movimentos do povo propõem uma democracia que corresponda às decisões do povo e que, em caso de que se separe do povo, deixará de ser uma democracia.

Depauperados e excluídos, indignados e ocupas formulam teorias que contêm um grande respaldo empírico. Trata-se de explicações e generalizações baseadas em grande quantidade de experiências. Trata-se de conhecimentos, de artes e técnicas que correspondem ao saber e ao fazer dos povos, esse saber que tanto exaltara o antropólogo Andrés Aubry, e em que aparece, em vez do “eu” individualista, o “nós” tojolabal que Carlos Lenkersdorf resgatara para  a filosofia da solidariedade humana.

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