
O 09 de abril na Bolívia marca a data da Revolução de 1952, momento em que as milícias camponesas e operárias sobrepujaram as forças do exército do país para permitir a chegada ao poder do Movimiento Nacionalista Revolucionário (MNR).
Ainda que as análises posteriores, sempre beneficiadas pela vantagem de conhecer os desdobramentos dos fatos históricos, permitam questionar até que ponto a utilização da palavra “revolução” seja a mais adequada aos acontecimentos de 52, é inegável sua importância na história boliviana. Foi ali que se desmantelou a estrutura de um Estado oligárquico, que mantinha uma estrutura de perpetuação das regalias a uma elite mineradora oriunda do período colonial, e no qual a população indígena era totalmente ignorada, salvo quando necessária como massa de manobra paras as guerras.
Uma ideia de cidadania mais abrangente, com plenos direitos aos indígenas independentemente de sua situação econômico-social, o fim da estrutura patriarcal e patrimonialista, um papel mais ativo do Estado com sua política de nacionalização e de reforma agrária foram conquistas inegáveis daquele processo, sustentadas em seus primeiros anos pela força das armas entregues à população e pelo desmantelamento do exército (situação que durou até 1953).
A limitação das reformas em anos posteriores à chegada do MNR ao governo, partido muito mais nacionalista do que efetivamente revolucionário, não tardariam em conduzir a estrutura do Estado novamente às mãos das elites, talvez transformadas mais ainda conservadoras em suas intenções. Mas independentemente desse conhecimento que hoje nos é permitido ao olhar pelo retrovisor, a importância daquele fato histórico é essencial no que diz respeito mesmo ao processo de transformação atual vivido no país, pois vêm dali muitas das bases sobre as quais ocorre a mobilização política.
Aos interessados em conhecer um pouco mais dessa que, em seu momento, foi a primeira revolta popular bem sucedida em nosso continente, seguem alguns textos:
- Livro publicado pela Fundação Alexandre de Gusmão (FUNAG), vinculada ao Ministério das Relações Exteriores brasileiro, no qual se encontra um artigo redigido por este escriba, você pode baixar clicando aqui.
- Análise comparativo entre as revoluções de 1952 na Bolívia e 1959 em Cuba, você pode baixar clicando aqui.
- Artigo publicado na edição de ontem do Página Siete por Carlos D. Mesa Gisbert, ex-presidente da Bolívia e um dos mais importantes historiadores do país, você pode baixar clicando aqui.